A Arte da Guerra sem guerras

2015.08.18 A Arte da Guerra sem Guerras

A Arte da Guerra é um manual filosófico de guerra escrito durante o século IV a.C pelo estrategista militar chinês conhecido como Sun Tzu, composto por treze capítulos, que aborda estratégias de guerra e gestão de conflitos, até mesmo para evitar guerras. Acredita-se que seus ensinamentos foram utilizados por inúmeros estrategistas militares através da história do mundo, como Napoleão e Mao Tsé-Tung. Atualmente, A Arte da Guerra vem sendo utilizada como arcabouço de valiosas lições para os combates travados no mundo dos negócios. Entretanto, neste post, pretendo abordar alguns ensinamentos deixados por Sun Tzu na referida obra e sua aplicabilidade nos entraves diplomáticos, jurídicos e sociológicos; uma arte da guerra sem guerras.

A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem desembainhar a espada.

A arte de derrotar o inimigo sem a utilização de armas é talvez, paradoxalmente, a arma mais sofisticada à disposição do guerreiro: a arte da argumentação, da persuasão, o talento de se expressar, o dom da oratória, o poder de começar ou acabar uma guerra através do poder das palavras.

A diplomacia, geralmente exercida por agentes diplomáticos do Estado, é a aptidão para tratar de negócios em relações internacionais. É considerado como função da diplomacia a negociação, representatividade e a informação.

O diplomata conduz relações entre povos e nações, nos setores político, econômico, social, militar, cultural, comercial e jurídico. Cabe ao diplomata analisar o cenário mundial, investigar mercados e a situação política das nações, promover entendimento entre diferentes governos, abrindo caminho para negociações, exportações, importações, acordos bilaterais ou multilaterais. A internacionalização da economia e a informação via internet amplia o campo de atuação do diplomata.

Na terceira temporada do seriado House of Cards observamos a ação da diplomacia na negociação do Presidente Frankie Underwood e a Embaixadora e Diplomata Claire Underwood, dos Estados Unidos, com o Presidente Viktor Petrov, da Rússia, a favor da liberdade de expressão, direitos iguais para os LGBT, paz no Oriente Médio, alocações orçamentárias e a resolução da liberdade e extradição de um ativista gay americano, preso na Rússia, sob jurisdição do regime jurídico russo e poder do Presidente Petrov.

No cenário internacional real, podemos observar a importância da diplomacia através de Eleanor Roosevelt, diplomata e embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), entre 1945 e 1952, que presidiu a comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No Brasil, ao diplomata são atribuídas as funções de representatividade do País no exterior e nas organizações internacionais, de reunir informações para contribuir com a formulação da política externa brasileira, participar de reuniões internacionais e negociar em nome do Brasil, promover o comércio exterior brasileiro e atrair turismo e investimentos, prestar assistência aos brasileiros no exterior e promover a cultura e valor do povo brasileiro.

Para ser diplomata, deve o candidato possuir curso superior concluído em qualquer área e ser aprovado no concurso público de admissão do Instituto Rio Branco (IRBr). A prova é realizada anualmente, contendo quatro fases. Após aprovado, a carreira do diplomata passa pela seguinte hierarquia: Terceiro-Secretário, Segundo-Secretário, Primeiro-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe, mais conhecido como Embaixador. A carreira diplomática no Brasil é regulamentada pelo IRBr.

O Instituto leva este nome em homenagem à lendária figura do Embaixador Brasileiro Barão do Rio Branco, codinome do Diplomata José Maria da Silva Paranhos, que negociou tratados com vários países latinos no século XIX e ajudou a consolidar as fronteiras que temos hoje no Brasil.

O Itamaraty, onde os embaixadores e outros profissionais do IRBr trabalham, concentra a missão de formular toda a política externa do Brasil. Sua sede fica em Brasília, no chamado Palácio dos Arcos, que também tem a função de distribuir todos diplomatas do Brasil pelos países abertos (que não são ditaduras) do mundo.

O Brasil teve grandes diplomatas que exerceram função vital não apenas para o País em momentos de guerra e crise, mas também para o mundo. Guimarães Rosa, diplomata brasileiro, ajudou judeus a fugirem para o Brasil na Segunda Guerra Mundial. O festejado diplomata Ruy Barbosa teve grande atuação e participação na Proclamação da República, ocupou o cargo de primeiro ministro da fazenda e fez história no Brasil.

A atuação na área jurídica também tem seu toque de sutileza e diplomacia, onde o embate é travado com palavras e argumentos. Os citados Ruy Barbosa e Barão do Rio Branco, além de diplomatas, eram advogados.

Caros amigos, celebremos a resolução de conflitos sem o desembainhar de espadas.

E por falar em resolução de conflitos…

Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem.

Os conflitos podem ser encerrados antes de se iniciarem. A raiz de muitas mazelas sociais é atribuída à falta de condições dos cidadãos enquanto jovens. Pitágoras também compreendeu isso: “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.

Com ORDEM, a consequência será PROGRESSO. O que falta hoje ao País não são necessariamente leis mais severas ou maiores punições; basta ter um pouco de conhecimento sobre nossa Constituição para admirar a beleza de seus ideais. O que realmente falta é ordem na sociedade para ser aplicada aos infratores, menores ou maiores, à melhoria da educação nas escolas, à maior qualidade de vida, à menor tributação e a um maior e mais elaborado investimento no cidadão.

Recentemente, um grande amigo me disse: “sou socialista para direitos sociais como educação, saúde, segurança etc., o que todos devem ter, mas capitalista (não-selvagem) para dar de modo justo a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Isso me rendeu muita reflexão, da qual compartilho um aspecto com os caros leitores: enquanto houver grande desigualdade na base, no crescimento, não obteremos o progresso social que tanto almejamos. Enquanto houver grande desigualdade na educação ou na oportunidade para uma boa educação de qualidade, jamais iremos erradicar a pobreza. Enquanto houver corrupção e cursos pagos de R$ 1.200,00 ao mês para tentar entrar em universidades públicas, teremos sempre de 88 a 92% de universitários nessas universidades vindos de escolas privadas e 96 a 98% dos alunos dos cursos mais desejados em universidades públicas sendo frequentado por ex-alunos de escolas particulares.

Para mudar essa realidade, é preciso conhecer a si mesmo e aos inimigos da sociedade.

Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.

De modo geral, os cidadãos brasileiros atuais aparentam estar começando a se interessar mais sobre seus direitos, política e, consequentemente, no conhecimento dos possíveis oponentes da sociedade. O mau-investimento e desvio de dinheiro público em diversos setores da educação, saúde, transportes, segurança etc. por líderes políticos não parecem mais estar sendo ignorados, graças em parte às redes sociais, internet e outras vias de comunicação do século XXI.

O (re)conhecimento do provável inimigo é evidenciado ao lembrarmos o último domingo, dia 16 de agosto p.p., no qual cidadãos em diversas cidades do Brasil se mobilizaram almejando um só objetivo: combater a corrupção. Tivesse o grande Sun Tzu elaborado tal estratégia, acredito que ele classificaria tais atos como o reconhecimento do inimigo.

Mas e o conhecimento de si mesmo? Não recebemos retorno do governo por votarmos mal, por não sabermos escolher nossos representantes. Falta a busca por conhecimento de cada candidato a liderar, defender e conquistar direitos e melhorias para os cidadãos; os governantes são (ou deveriam ser) nossos representantes! Recentemente têm ocorrido diversas manifestações e protestos, mas em meio a isso também temos a chamada “massa de manobra”; o povo não se reconhece nem sabe pelo que luta, somente seguem o vizinho ao lado ou a influência da mídia em suas atitudes. Podem até saber contra o que lutam, mas não pelo que lutam. Muitos reclamam de um mau governo e más pessoas, mas não há sugestão de melhorias ou candidatos melhores. Lutam por algo melhor, mas não sabem como melhorar.

Conheçam a si mesmos; suas fraquezas e forças intelectuais, suas limitações e superações, onde erram para tudo estar do jeito que está e onde podem e devem melhorar. Conhecimento de si e conhecimento de tudo. Conhecimento é poder e em uma democracia, senhores, o poder está com cada um de nós. Sejam SUPER!

A evolução do homem necessita da busca pelo conhecimento.

Espero que tenham gostado desta humilde contribuição!

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7 comentários sobre “A Arte da Guerra sem guerras

  1. Maravilhoso texto, que fica ainda mais perfeito e completo quando a inteligência do aluno instiga a argumentação do Mestre e vice-versa.
    Se todas as pessoas lessem e interpretassem os textos e a vida apurando os detalhes sem permitir a pressa, mas valorizando o produto final (o conhecimento), com certeza a raça humana se respeitaria muito mais, consciente de suas atitudes.
    Sou jornalista, mas observo que o imediatismo das mídias, o teatro das propagandas eleitorais, os discursos políticos e governamentais, bem como as manifestações do povo, não têm a pretensão de informar, mas sim dissuadir o receptor com conteúdo vazio. É preciso encontrar outros Supers como vocês.

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  2. Grade Obama! Parabéns por sua primeira colaboração com o Superjurídico! Que orgulho dar aulas a um presidente tão carismático e ainda aprender com ele em retorno.
    A Arte da Guerra, embora escrita há mais de dois milênios, se mostra atual e transcende sua premissa original, servindo de valioso cabedal de conhecimentos para as relações humanas de modo geral. Qualquer que seja a natureza do conflito, este solucionar-se-ia, quando inevitável sua prevenção, mais rápida e facilmente ao aprendermos e aplicarmos os aconselhamentos de Sun Tzu.
    Derrotar o adversário sem sacar a espada é lição incorporada e aplicada por diplomatas e operadores do Direito. Aliás, como bem colocado, os lendários Barão do Rio Branco e Ruy Barbosa eram diplomatas e advogados. A arma desses ofícios é a arte da retórica; o poder de (con)vencer os adversários através das palavras, da comunicação, da persuasão, da inteligência aplicada, não pela força ou pela violência.
    Lamento, portanto, que a retórica não seja mais estimulada e a linguagem bem empregada seja considerada “chata” por muitos. País desenvolvido é aquele que investe na educação, o melhor investimento em prol da sociedade.
    Mas investir em educação é investir em cidadãos que aprendem a questionar e, a partir disso, aprendem a exigir mudanças e obtê-las através do Direito e da Justiça, sem precisar levantar os punhos.
    Assim, para manter uma sociedade de ovelhas, o mal governo afasta o conhecimento do povo para distanciá-lo de sua evolução.
    Nosce te ipsum e conheça também aos inimigos e, então, não tema o resultado de suas batalhas.
    Todavia, lembrem-se de que as batalhas podem ser evitadas antes que elas surjam. Senhores clientes, consultem sempre um advogado, cientes de que os honorários advocatícios devidos pela atuação contenciosa são mais substanciais que os devidos pela atuação preventiva. É melhor prevenir que remediar.
    Sim, meu caro Obama, sou socialista para direitos sociais como educação, saúde, segurança etc., o que todos devem ter, mas capitalista (não-selvagem) para dar de modo justo a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
    Sendo esses direitos sociais igualmente distribuídos com qualidade, faremos com que todos partam da mesma linha de largada (socialista); onde cada um chegará dependerá de seu próprio esforço e dedicação (capitalista meritocrata). Direito social não deve ser confundido com assistencialismo.
    O Sr. Presidente já declarou em entrevistas seu gosto pela série House of Cards. Então permita-me utilizá-la para citar outro exemplo: uma das tramas paralelas da 3ª temporada ilustra como é custoso ao erário público a geração de empregos, de modo que seja egoisticamente preferível dar uma mesada ad eternum aos necessitados, criando uma situação de dependência infinita do cidadão em relação ao governo.
    Neste ensejo, registro outra tática de guerra, extraída de outra obra Dell’Arte della Guerra (de Maquiavel), bastante utilizada na tentativa de criação de um vínculo indissolúvel entre o governo e seus dependentes (fracionados e distantes entre si), que é conhecida como “dividir para conquistar“: dividir negros e brancos, ricos e pobres, heteros e homossexuais, mulheres e homens, jovens e idosos, crentes e ateus e qualquer outra diferença a qual se dê mais importância que aos seres humanos de modo geral.

    Deve um capitão, em todas as demais ações, com toda arte e engenho, dividir as tropas do inimigo, ou fazendo-o suspeitar dos seus homens de confiança, ou dando-lhe motivos para separar seus homens e, assim, enfraquecê-lo.
    (Livro Sexto d’A Arte da Guerra de Nicolau Maquiavel)

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    1. Exímio Mestre, em uma boa leitura, em uma pesquisa bem feita, podemos detectar diversos cânceres consumindo a grande União aos poucos. A divisão e conquista, a deseducação do povo, a inversão de valores, o peixe dado pelo Estado para não ensinar o povo a pescar, a preferência em governar pobres, inocentes, fracas e frágeis ovelhas a guiar fortes, sábios e grandes leões, fazendo valer a premissa democrática do poder do povo, para o povo e pelo povo, como já citado. Mais incrível é como o povo é enganado, ou melhor dizendo… deixa-se enganar. O gigante ainda não acordou; infelizmente ele apenas despertou do pesadelo, mas voltou a dormir logo em seguida. Ainda há muito o que mudar.

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  3. Ao invés de violência organizada, deveríamos ter como objetivo o controle e a fiscalização, pelo povo, sobre os atos dos que se dizem “representantes”. Não somente isso, mas também o interesse por assuntos como política, filosofia, sociologia, economia etc., assuntos que regem nosso cotidiano e que nem ao menos paramos para pensar ou, a grande maioria, não tem interesse em conhecer.
    “Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”
    Nos conhecendo e sabendo nossas dificuldades, capacidades e defeitos, saberemos onde podemos melhorar e só assim melhorar nosso país. Sermos patriotas e ter a disposição para melhorar nossa nação é um bom começo.

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    1. Ótimo comentário, sem dúvida alguma. Falta muito conhecimento de si mesmo e como melhorar o país, infelizmente as pessoas se demonstram mais interessadas e preocupadas com outras questões como “não tomar 7×1” novamente, ler apenas nas revistas e jornais o relatório semanal dos episódios da novela etc., pesquisas no Google só se for para encontrar um episódio perdido. Não sou chato nem contra a diversão, mas sou contra o popular “pão e circo”.

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  4. “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

    Com isso refletirei mais sobre as batalhas que a vida me dará.

    Curtido por 7 pessoas

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